As sete leis dos filhos de Noé

 

Introdução

Nos últimos anos, o Rebe de Lubavitch melech HaMashiach (o rei Messias) encorajou para que nos esforçássemos para informar ao público em geral sobre a natureza e o significado das sete leis dos filhos de Noé como uma preparação para a iminente chegada de Mashiach.

Estas leis, que descrevem as responsabilidades éticas e morais de toda a humanidade, são o guia verdadeiro e adequado para um mundo que aspira atingir o seu estado ideal.

Nossos santos sábios ensinam que esse estado ideal será alcançado com a chegada de Mashiach (o Messias).

Mashiach (literalmente, "o ungido") será um mestre e líder do povo judeu que conduzirá a humanidade à sua completa perfeição. Ele é santo, erudito e descendente da Casa do rei David. Ele ensinará ética e moral para toda a humanidade e estabelecerá paz para o mundo inteiro.

Na época de Mashiach não haverá fome, nem guerra, inveja ou disputa. As pessoas ansiarão ajudar umas às outras, e um espírito de amor e fraternidade florescerá.

E o mais importante de tudo: na era messiânica toda a humanidade conhecerá a unicidade de D’us e reconhecerá que Ele é o único Soberano do Universo. Como diz o profeta Isaías: "O mundo inteiro estará pleno do conhecimento de D’us como as águas cobrem o oceano" (Isaías 11:9).

Em anos recentes testemunhamos a ocorrência de eventos singulares e milagrosos no mundo, especialmente na antiga União Soviética, a Guerra do Golfo, e os esforços humanitários sem precedentes pelas potências industrializadas em usar suas forças militares para alimentar e proteger as nações mais necessitadas.

Na verdade, estamos vivendo numa época de milagres e, paralelamente, há um interesse crescente em todo o mundo pelas leis de Noé. Isto ajudará a nos aproximar significativamente da tão esperada era da redenção, quando o mundo se transformará de fato numa moradia para D’us.

 

A base para um mundo ideal

Imagine um mundo no qual não houvesse senso de certo e errado. Um mundo sem o conceito de justiça, sem um sistema de leis, sem vida familiar, sem valores éticos ou morais. Isto não parece apavorante? Talvez até um pouco real? Tal sociedade já existiu uma vez. Egoísta, guerreira, cruel. Um sociedade preparada para autodestruir-se quatro mil anos atrás, no grande dilúvio.

Sem este legado, um novo mundo nasceu, começando com Noé e seus filhos.

D’us confiou-lhes um código de vida, um conjunto de leis sobre as quais uma nova civilização poderia ser construída.

Este código de sete leis fundamentais é de tão longo alcance que ele fornece estrutura e propósito para a vida todo o tempo, guiando o homem para perceber o seu potencial mais elevado como um ser criado à imagem de D’us.

 

1. Crer em D'us (Não adorar ídolos)

O homem, a criatura mais fraca, é cercado por forças de vida e morte muito maiores que ele próprio. Confrontado com a vastidão destas forças universais, o homem pode muito bem tentar servi-las a fim de se proteger e melhorar seu quinhão.

A essência da vida, entretanto, é reconhecer o Ser Supremo que criou o Universo — acreditar n’Ele e aceitar Suas leis com temor reverencial e amor. Devemos nos lembrar de que Ele conhece todas as nossas ações, recompensando a bondade e punindo o mal. Somos dependentes d’Ele, e somente a Ele devemos fidelidade. Imaginar que poderia haver qualquer outra força que poderia nos proteger ou prover as nossas necessidades não só é tolice, mas perverte o propósito da vida e, como a história tem mostrado, liberta potencialmente poderosas forças do mal em nós mesmos e no mundo.

 

2. Respeitar D'us e louvá-Lo (Não blasfeme Seu Nome)

Quando nos desapontamos com a vida, quando as coisas não andam como deveriam, é muito fácil apontar o dedo acusador e culpar todo mundo... tudo... até mesmo D’us. Lealdade e confiança são fundamentais na vida. Culpar D’us, amaldiçoá-lo ou amaldiçoar outros em Seu Nome é um ato de deslealdade — similar à traição. É um ato que mina a base de toda a ordem e estabilidade sobre a qual uma sociedade justa deve se manter. D’us certamente é justo, muito embora uma mente limitada não possa compreendê-Lo, já que Ele é infinito.

 

3. Respeitar a vida humana (Não mate)

O primeiro registro da desumanidade contra o homem começa com a história de Caim e Abel. O homem é na verdade o guardião de seu irmão. A proibição contra o homicídio (incluindo o aborto) vem proteger o homem da tendência animal que existe dentro dele. O homem agressor nega a santidade da vida humana e, em última análise, ataca D’us, que nos criou à Sua imagem.

 

4. Respeitar a família (Não cometa atos sexuais imorais)

A Bíblia Judaica afirma: "Não é bom que o homem esteja só"; então D’us fez uma companheira para Adam e no casamento "Ele os abençoou". Em uma família saudável a criatividade do homem encontra expressão significativa. Famílias sadias são a pedra angular de comunidades, nações e sociedades sadias. As nações que permitiram a imoralidade — adultério, zoofilia, sodomia, incesto, etc. — nunca duraram muito. A imoralidade sexual é o sinal de uma decadência interior que gera uma sociedade cruel, trazendo confusão ao plano de vida Divino.

 

5. Respeitar os direitos e propriedades alheios (Não roube)

Visto que nosso sustento vem de D’us, deveríamos procurar obtê-lo honestamente, com dignidade, e não mediante meios enganadores. Violar a propriedade alheia, roubar ou enganar, é um ataque essencial sobre a humanidade do indivíduo. Isto gera anarquia, mergulhando a humanidade nas profundezas do egoísmo e crueldade. Foi por este pecado, acima de todos, que o dilúvio foi trazido sobre o mundo.

 

6. Criar um sistema judicial (Persiga a justiça)

Um sistema legal robusto e saudável, administrando justiça corretamente, cria uma sociedade digna da bênção de D’us. Estabelecer um sistema de juízes, tribunais e oficiais para manter e impingir a lei é uma responsabilidade de longo alcance. Este preceito traduz os ideais de nossa vida pessoal numa ordem formal para a sociedade em geral. É a extensão e garantia de todas as leis precedentes.

 

7. Respeitar todas as criaturas (Não coma a carne de um animal enquanto este ainda vive)

D’us deu ao homem "domínio sobre o peixe, a ave, o gado e sobre toda a terra". Nós somos os guardiões da criação de D’us. Em última análise, nossa responsabilidade se estende além da nossa família, além até da sociedade, para incluir o mundo da natureza. Comer carne tão fresca que o animal ainda esteja vivo pode ser saudável, mas é cruel, até bárbaro, o que demonstra uma insensibilidade decadente à dor alheia. Esta lei é a pedra de toque, se você quiser, que mede como as outras seis leis estão sendo observadas. Quando o homem cumpre o seu potencial, toda a criação é cultivada e elevada para realizar esta meta. Isto transforma o mundo num lugar belo onde D’us pode habitar.

 


Traduzido do folheto da Campanha mundial para saudar Mashiach, Campanha de conscientização de Mashiach. Rabbi Yosef Yitzchok Lispkier, Z"L.

Para mais informações sobre as leis visite Moshiach.com (em inglês).